“Ele não queria nada sério comigo, mas desde o primeiro dia sempre fez questão de segurar minha mão quando andávamos pela rua. Ele mal tocava no celular quando estávamos juntos, beijava meu rosto inúmeras vezes e sempre ficávamos de mãos dadas trocando carinhos de dedos, minhas unhas passeavam pelos seus braços, por vezes em suas costas ou em sua coxa e, se por acaso eu parasse, logo escutava “pode continuar” com um olhar desaprovando a pausa. Ele me beijava lento, seus lábios se encaixavam perfeitamente nos meus e, de alguma maneira eu sei que ele também sentia isso. Seus olhos castanhos costumavam me devorar em público e, eu era presa fácil praquele tom de caçador. Ele não queria nada comigo e ainda assim se explicava todas as vezes que eu questionava o porquê de ainda não sermos nós. Ele tinha uma paciência absurda com meus inúmeros questionamentos e mesmo depois de meses, eu ainda me pergunto o porquê?! Ele não quer namorar comigo, mas reapareceu com suas piadas sem graças, dizendo que era engraçado e quis compartilhar. Ele segurava minha mão enquanto dirigia o carro ou quando estávamos na moto a cada pausa no semáforo entrelaçávamos os dedos, ele corria sua mão por minha perna, segurando em meu tornozelo e logo voltava para minha mão. Ele diz que nunca se apaixonou por ninguém, mas falava comigo em tom de saudade, eu sinto, mas ele logo se corrigia dizendo que não pode me ver. Ele não quer nada comigo e eu ainda o esperava, como se fôssemos nos encontrar no próximo final de semana, como se ele fosse me ligar e dizer que estava vindo, como se fosse possível que ele gostasse de mim. Ele então, prometeu que nunca mais sairia comigo, que não iria me alimentar com falsas promessas, era errado e não daríamos certo, então ele foi embora… mas ele voltou mais uma vez com uma piada boba e entre uma frase e outra, admitiu que seríamos bons juntos, que eu era uma fraqueza dele. E no passar de oito meses ele admitiu pela primeira vez, mas ele ainda não quer nada comigo, com o que sinto e o que tenho a oferecer… então nessas idas e vindas, entre uma desculpa e outra, entre um encontro marcado e um adeus prévio, eu ainda não deixo de me perguntar: por que ainda não somos nós?”— Assim, até eu consigo esquecer.
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Eu olhei para o céu e pedi para que Deus te protegesse, para que ele não deixasse que nada de ruim acontecesse com você.
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